Obscura

  Exposição em cartaz na Galeria Laura Marsiaj no Rio de Janeiro de 5 de mar à 11 abr/2013

IMG_0068

IMG_0069

IMG_0039

IMG_9991

IMG_0012

Der Himmel u_ber Berlin  - site LED -site Melancholia - site Ocupac_a_o - site Pla_ncton - site Ponto de partida (997x1024) Sem sinal - site Sile_ncio - site vai passar - site

Mundo Admirável

Onde estou nessa floresta, nessa estrada, nesse caminho, nessa paisagem deliciosamente encantadora e trágica? Quem sou eu nesse ponto de fuga, nessa perspectiva, nessas linhas paralelas, nesses meridianos, nessas latitudes e longitudes, nessas lonjuras e cercanias, nessa estranha geografia que conduz o olhar? Como decifrar esse silêncio, quando me encontrar com a cantoria, porque não entender – e aceitar – a arte como espelho da realidade e transcendência da vida?

Papel, carvão, nanquim, matérias da arte, simples como o vento, a chuva, as gorduras e os ácidos que formam os corpos do mundo. Com eles, Killian constrói a sua linguagem, a visualidade de suas paisagens impregnadas de beleza, perplexidade e encantamento. Elas são herdeiras da tradição; dialogam com os mestres renascentistas, com a escola de Barbizon e com o romantismo alemão. Elas re-apresentam aos admiradores admirados novas e diferenciadas maneiras de ver o local que nos cerca, o cenário que nos abriga, o silêncio que nos envolve. Esse espelhamento de um real transfigurado encontra amparo no sentimento surrealista e dialoga com algumas importantes pesquisas no campo da visualidade contemporânea como o cineasta David Lynch em especial nas suas propostas mais ousadas como Lost Highway.

Em seus trabalhos mais recentes o ponto de vista do espectador situa-se na idéia de deslocamento e trânsito. As densidades iluminadas do mundo ora refletem a proximidade das casas do homem, ora dirigem seus sentidos para o universo iluminado das estrelas em meio à escuridão ora aludem às cartografias e mapas que interpretam o sentido e a presença das pessoas no planeta. Permanece como fio condutor da inquietante produção do jovem artista a incorporação das grandes escalas desse admirável mundo das coisas e dos seres que o artista apresenta de maneira contundente e precisa, reiterando a ação da arte como importante instrumento de revelação e descoberta.

Marcus de Lontra Costa

Rio. fevereiro. 2013

NATUREZA IMPERMANENTE

No lugar de levar em direção a um realismo representativo, o domínio técnico e o detalhismo visual manifestados na obra de Kilian Glasner funcionam como ferramentas de expressão poética da imaginação e do subconsciente do artista. Suas estradas e percursos indicam claros trajetos a serem seguidos, mas o destino é uma espécie de limbo luminoso situado nos limites do infinito. Os desenhos materializam inquietações metafísicas do artista. Ao transportar pistas de decolagem, ruas, estradas, faixas esportivas, pontes e caminhos de diversos tipos para paisagens contextualmente improváveis, Glasner estabelece as linhas de construção de uma região localizada em um ponto de interseção do mundo material com a fantasia de natureza onírica. A soma entre elementos sólidos origina uma zona de propriedades indefinidas. Apesar de rígidos em suas construções estruturais, os quadros da exposição engolem os observadores e os jogam em ambientes de suspensão existencial. Um forte jogo físico começa no ângulo de contemplação da pessoa diante da superfície do papel e se desdobra em situações de envolvimento e captura tridimensionais. As composições da série são visivelmente construídas a partir de fragmentos de fotografias reconfigurados em uma nova disposição imaginária clara, que são selecionados e reproduzidos por meio da arte do desenho, sempre com pigmentos de carvão ou pastel pretos sobre papel branco. Brumas, nuvens, neblina, neve, vegetação e água, com seus contornos delineados de forma harmoniosamente caótica, incorporam às cenas um tom de mistério que pode ser associado à dúvida, ao medo ou à melancolia. Não apenas por respeitarem os princípios da perspectiva, as imagens direcionam o olhar para “pontos de fuga” posicionados nos horizontes. Como está sugerido no título do projeto, porém, esse destino tem como eixo a impermanência dos objetivos humanos, a inexistência do futuro ou o fato de que o presente, livre das amarras do passado, é a única coisa que pode ser sentida com certeza. Ideais dos indivíduos, como a felicidade, estariam neles mesmos, e não em algum ponto distante no tempo ou no espaço. O itinerário da viagem começa dentro da própria mente.

Júlio Cavani

DE 14 DE MARÇO A 22 DE ABRIL DE 2012

CAIXA CULTURAL SÃO PAULO | GALERIA VITRINE DA PAULISTA
AV. PAULISTA, 2083, SÃO PAULO/SP (METRÔ CONSOLAÇÃO)

DE TERÇA A SÁBADO, DAS 9h ÀS 21h, DOMINGOS E FERIADOS, DAS 10h ÀS 21h